
esquizoanálise e psicanálise
Minha prática clínica e o meu pensamento são fronteiriços. Caminho pelas bordas, busco uma produção que seja transversal e que não se submeta a nenhum dogma ou escola em particular.
Percorro os entres, vou colhendo aquilo que me interessa na esquizoanálise, na psicanálise, na educação somática. Estabeleço relações de parentesco improváveis entre os autores, opero uma bricolagem com fragmentos de teorias, componho distintos campos do saber.
Aposto no processo analítico como uma cartografia aberta, inventada momento a momento no plano de ressonâncias criado entre o analista e o analisando. Já de partida, busco derreter os falsos problemas e as falsas barreiras entre natureza versus cultura, mente versus corpo, dentro versus fora, etc.
Uma análise precisa ser, inexoravelmente, um motor de afirmação da vida e de libertação do desejo, conectando o vivente com o campo social, político e cultural. Não se trata de interpretar o que um sintoma significa ocultamente, mas investigar como ele funciona e como pode ser usado para criar novas saídas na vida. O foco muda da cura de uma patologia para a produção de uma singularidade, ou seja, a conversão de um mal-estar em uma potência de ação criadora.
Recuso o autoritarismo dogmático e o tecnicismo abstrato. Insisto na centralidade do corpo e dos afetos em análise. O processo analítico não pode ser apenas uma cura pela fala racional. Gestos, dores, sons, têm o mesmo peso que as palavras.
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